quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Meiga ou puta?

Antes de começar o post, peço desculpas pela palavra de baixo calão no título, mas vocês verão que é por um motivo justo.
Mais cedo eu fui encontrar com uma amiga (amiga mesmo, de váriooooos anos) e estava com o look da foto que postei no Instagram, antes de sair ao encontro dela:


Assim que ela me viu, comentou: "Que estranho você de vestido de menininha meiga e batom de puta! kkkkkkk"
E vocês que vêem essa foto e não me conhecem? O que vêem na foto? Uma menininha meiga ou uma puta?

Tenho certeza de que a minha amiga não me considera uma puta e que a intenção dela não era me ofender (ou eu falaria dela no post como uma "ex-amiga") e o que me preocupa na frase dela não é o conceito que ela tem de mim, mas o preconceito que eu vi por trás do que ela falou. Talvez o batom vermelho (que eu falei num post mais cedo) que eu estava usando não tenha passado a imagem de uma mulher de atitude (que eu sou e ela sabe disso) mas sim de uma mulher vulgar, e ao fazer esse comentário, ela deixou que esse preconceito fosse mais forte que a imagem que ela tem de mim.

Eu pensei em explicar a ela que uma mulher pode sim, ser "meiga" e "puta" ao mesmo tempo, dizer que representamos diversos papéis durante a nossa vida, em situações e momentos diferentes (ela é mãe, esposa, filha, estudante, irmã, amiga...), mas como ela está passando por um momento muito difícil (está no meio de um divórcio), eu achei melhor não tocar nesse assunto. E também não vou me aprofundar aqui, já que não é o local ideal e o papel que eu exerço enquanto escrevo esse blog é falar de comportamento ligado à moda, mas deixo aqui a indicação de um texto para quem tiver mais de 18 anos, a mente aberta e interesse no assunto.

O que vale a pena citar aqui é o preconceito que as pessoas têm ao olharem para uma pessoa pela primeira vez, a tal primeira impressão. Muitas vezes fazemos ligações perigosas e injustas ao julgar as pessoas pelo seu visual:
* Toda vestida de preto? Hum, deve ser roqueira, deve ser uma drogada.
* Estampa de florzinha? Deve ser uma bobona romântica!
* Que roupa curta, deve ser uma piriguete.
* Batom vermelho? Uma puta!
* Óculos de grau? Nerd, com certeza.
* Terninho? Deve ser uma mulher séria.

E então eu lembrei de um episódio que eu presenciei no ensino médio. Eu era amiga de 2 meninas (hoje apenas uma delas continua na minha vida) e numa segunda-feira era comum todo mundo chegar com os cabelos e unhas feitas. Uma chegou mostrando o esmalte, que era bem clarinho, e disse "unha de virgem". A outra mostrou as unhas pretas e disse "unha de puta". Era tudo uma grande brincadeira, mas o engraçado mesmo era eu ver que o esmalte que elas usavam não diziam exatamente nada da personalidade delas. A menina que tinha "unha de virgem" era amante do amigo do pai dela, enquanto a que tinha "unha de puta" namorava há 3 anos, era fiel e (pasmem! <- percebam a ironia) virgem!

É fato que passamos uma imagem através do que vestimos e da maneira como nos portamos, mas a imagem é uma soma de elementos. Quando vemos uma mulher de saia curta + barriga de fora + sapato alto + decote + batom vermelho + unhas vermelhas andando rebolativa e provocante em uma rua escura altas horas da noite podemos pensar que se trata de uma garota de programa (e pode ser que seja apenas uma garota sem noção ou com mal gosto), por causa do estereótipo (um conjunto de ideias preconcebidas que resultam em uma generalização que nos leva a classificar pessoas ou grupo de pessoas) em torno das mocinhas de "vida fácil". Quem não se lembra do visual da Bebel como garota de programa e de como as pessoas a olhavam com mais respeito quando ela apareceu com um visual "mais respeitoso"? Mesma pessoa, mesma personalidade, dentro de roupas diferentes. Pessoas diferentes? Não. Julgamentos diferentes.


Voltando ao post sobre o batom vermelho da Miriam, vale dizer que é um ponto positivo para a Globo, que pelo papel de formadora de opiniões que exerce, acertou em cheio ao colocar a mocinha da trama usando batom vermelho ao mesmo tempo que em outra novela ela mostra a Carminha, que é vilã, usando roupas e maquiagem claras (que também foi motivo de post aqui no blog).


Pois é. As aparências enganam e o pior cego é aquele que não quer ver. #prontofalei

4 comentários:

Bruna disse...

Arrasou, Pri!

Letícia Rocha disse...

Infelizmente vivemos num mundo de aparências...

Menina Mulher disse...

Amei seu look!!!!jamais acharia de "puta",afinal sou super meiguinha e tô louca por um vestido assim,e adoraria complementar o look com aquele baton lindo_apesar de preferir tons mais clarinhos,tipo rosa boca_
enfim,,,,amei!

Pri disse...

Obrigada, Menina Mulher!!
Bjos